Governança Corporativa e Comunicação lado a lado

Muitos profissionais ainda confundem governança corporativa com a administração da empresa. A governança é o conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou controlada.

Ao interagir e dialogar com todos os stakeholders – acionistas, conselhos de administração, investidores, colaboradores, fornecedores, clientes, instituições financeiras, órgãos regulatórios e a comunidade em geral –  a governança corporativa requer um Plano de Comunicação eficiente.

A tarefa é árdua, mas com o entendimento do papel de cada um destes atores e o alinhamento do discurso da empresa para todos eles, o trabalho flui de forma satisfatória. Afinal, a governança exige uma relação integrada entre o corpo societário, diretoria, conselho administrativo, poderes de fiscalização e demais interessados.

A forma organizada de exposição da marca facilita a captação de recursos e apoia a construção da reputação. Esse modelo pode ser aplicado em grandes companhias de capital aberto; sociedades fechadas; pequenas e médias empresas;  além de terceiro setor e estatais.

Historicamente, a governança corporativa teve início com os primeiros escândalos envolvendo empresas norte-americanas como a Enron, a WorldCom e a Tyco. Para atender ao turbilhão de questionamentos sobre fraudes, o Congresso Americano criou e aprovou a Lei Sarbanes-Oxley (SOx), onde efetivamente nasceu a estrutura para aplicação dos princípios de governança.

Com o tempo foi possível mensurar o quanto uma empresa que adota esse formato agrega valor, exibe transparência e defende sua longevidade, conquistando o interesse de investidores.


No Brasil, a governança corporativa passou a ter maior presença nos anos 90 com o processo de privatizações e a abertura do Brasil ao mercado mundial. A governança continua a ser prioridade até mesmo em função da Lava Jato, que motiva as empresas a reverem ou adotarem os princípios de governança.

A Natura e o Banco Itaú, segundo pesquisas do Valor Investe, são líderes entre as melhores reputações em responsabilidade e governança corporativa no Brasil e bons exemplos a serem seguidos.

Bem, se a sua empresa quer adotar a governança corporativa, o primeiro passo é conhecer seus quatro pilares:

Os 4 pilares fundamentais:

  1. Transparência: expor dados e informações que vão além das determinadas por leis e/ ou regulamentos e que são de grande valia aos interessados.
  2. Imparcialidade: tratamento igualitário de todos os executivos e tomadores de decisão com os stakeholders.
  3. Responsabilidade empresarial: os gestores devem, essencialmente, zelar pela função social e sustentável da empresa.
  4. Prestação de contas: os envolvidos nas atividades da corporação devem assumir e prestar contas sobre suas decisões e atos.

E como implantar?

Conhecidos os pilares, é o momento da implantação do programa de governança levando em consideração os seguintes aspectos:

– Definição da hierarquia: é importante que os colaboradores saibam exatamente a quem devem se reportar em qualquer situação, especialmente nos casos que envolvam mais do que um gestor. Cargos de CEO, CCO e VP devem ser definidos para que assumam situações de conflitos e riscos.

– Reuniões periódicas entre colaboradores e gestores: esses encontros são importantes para apresentações de projetos, definição de novas diretrizes, próximos planos, metas e indicadores. Essas reuniões devem ser registradas por meio de atas para fácil consulta caso algum investidor queira associar esses documentos a demais projeções e levantamentos financeiros.

– Criação de um conselho consultivo: time de executivos com perfis peculiares, ampla experiência corporativa e com bagagem que auxiliará na troca de experiências e injeção de novos conceitos. Esse conselho ficará responsável por assumir e tomar decisões diante dos cenários mais complexos e que exijam compartilhamentos.

– Definição de estratégias junto à equipe de Comunicação: desde sua implantação, as informações, dados e discursos precisam estar alinhados. Esta tarefa exige o conhecimento de especialistas em comunicação corporativa. Serão definidos os canais de distribuição das informações, posicionamentos, conteúdos a serem divulgados e demais processos relativos à governança corporativa.

Portanto, a comunicação deve ser clara, alinhada, estratégica e transparente. Seguindo os preceitos da governança, todos os passos e diretrizes são ajustados, submetidos a uma estrutura organizacional definida e com uma comunicação que agregue valor à marca.

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